E se


Se a luz não fosse vermelha
Se o dia custasse a chegar
Se o encaixe não fosse perfeito
Se o suor custasse a pingar

O controle do corpo a pulsar
Entregue à alheia vontade
Se houvesse a mínima chance
De evitar o erro. Maldade.

Negar o desejo visível
Olhos brincam de jogar
A culpa do enlace fulgaz
Em outros repousar

E se o fôlego dissesse não?
Se os olhos fizessem questão
De abertos continuar?

E se um dia se repetir
Saberei pelo gosto vulgar
E lembrarei talvez por respeito
Agir e não perguntar.

2 comentários:

  1. "E se" deifinitivamente. Não haverá perfeição e de imperfeitos momentos e imperfeitos elementos surgirá o que vale a pena lembrar, o que vale a pena experimentar. É confuso, zonzo e até vil... mas é de verdade, ou não! ;)

    ResponderExcluir
  2. "E se" é um quase tudo de um nada e um nada de quase tudo. É bom sonhar no "e se", mas ele não preenche como deveria, como seria e acaba enchendo a uma certa hora. Às vezes o que queremos é realmente uma lógica booleana, um sim ou um não, nada de "e se".
    Eu particularmente adoro dar "e se", mas detesto recebê-los.

    ResponderExcluir